Depois da EA Sports anunciar uma tonelada de novos licenciamentos para FIFA 19, Pro Evolution Soccer 2019 tinha um grande desafio pela frente: superar a concorrência mesmo com várias limitações impostas.

Ao ligar o game, uma frustração vem logo de cara. Os modos Master League, Rumo ao Estrelato, Copa e Liga permanecem como as únicas opções no offline, algo que não muda desde PES 2009. Por um lado, isso mantém a essência do simulador, mas não apresenta novidades para um público que precisa delas.

Escolher seu time para um pequeno amistoso reforça o problema com licenciamentos. Mesmo que Marcelo, Luka Modric e Sergio Ramos apareçam no game, é decepcionante que o El Clásico seja Barcelona contra MD White, não Real Madrid. 

Divulgação/Konami

O mesmo se repete para clubes de outras ligas europeias e também para algumas seleções - o Brasil, por exemplo, tem nomes genéricos ao invés de Neymar e cia.

Para os fãs do futebol brasileiro, isso pode ser compensado pela presença dos times do Brasileirão. O jogo traz uniformes e estádios fidedignos, que não devem nada aos da vida real. Os rostos digitalizados, por outro lado, apresentam resultados mistos, com algumas feições muito bem feitas e outras nem tanto.

O mesmo vale para os parceiros internacionais do game, como Milan, Inter de Milão e Liverpool. Até o túnel de entrada para o gramado é reproduzido com muitos detalhes, dando uma atmosfera mais envolvente ao San Siro e a Anfield Road.

Na hora de rolar a bola, entretanto, o cenário fica ainda melhor. A boa voz de Milton Leite dá um clima de transmissão televisiva à partida. Em raras ocasiões a narração não condiz com o que acontece no jogo, e os comentários de Mauro Beting por vezes soam robóticos, mas essas falhas não ofuscam a boa ambientação de PES 2019.

Divulgação/Konami

Dentro das quatro linhas, o game se mostra um simulador sólido. Mesmo que não estejam sendo controlados no momento, defensores se antecipam às linhas de passe quando estão bem posicionados, facilitando o trabalho de marcação.

Outro destaque vai para os toques de bola - mais complexos e tênues, é fácil perder a posse por não ter calculado a força. Em um gameplay que se mostra acelerado, com muito espaço para contra-ataques e passes nas costas da defesa, isso pode ser o diferencial para a vitória.

Infelizmente, algumas falhas incomodam um pouco. É totalmente possível jogar pelo meio, mas jogadas pela lateral continuam mortais. Uma prova disso é que elas costumam ser preferidas pela CPU mesmo quando o centro de campo está livre.

Em partidas com clubes mais fortes, o goleiro pode tirar um jogador do sério com defesas milagrosas acontecendo uma após a outra. Pontes que seriam dificílimas parecem tranquilas para um bom arqueiro, que “encaixa” até os arremates mais fortes.

Divulgação/Konami

O bom gameplay de PES 2019, entretanto, não encanta. O jogo apresenta elementos novos, como jogadores lendários de Inter de Milão e Milan, trazendo a nostalgia dos inesquecíveis Winning Eleven. Mas olhar apenas para o passado acaba limitando a evolução da franquia.

Enquanto a concorrência investe em novos modos, que misturam personagens fictícios com as estrelas da vida real, PES parece estagnado. A franquia não compreendeu que hoje, mais do que nunca, o futebol é um fenômeno social, que acontece também fora dos estádios.

Experiências como essas são o que faltam para Pro Evolution Soccer reconstruir sua reputação. Como um simulador de futebol, o game cumpre muito bem a sua função, mas falta entreter o jogador com novos elementos, que vão além do que acontece dentro de campo.

Nota do crítico