Trazendo um nome há muito consagrado no universo dos games, Soulcalibur VI é o primeiro game da franquia a chegar para os consoles da nova geração. Com um promissor sistema de construção de lutadores, o jogo agrada, mas esbarra em pequenos problemas entre um duelo e outro.

Em um primeiro momento, o jogo apresenta o modo Libra of Soul, uma espécie de modo história com elementos de RPG. Nele, você utiliza o criador de personagens pela primeira vez, podendo escolher a raça do lutador, feições, penteados e roupas de diversos tipos.

Apesar das opções de acessórios parecer escassa à primeira vista, a quantidade de lutadores incríveis criados pela comunidade prova o contrário - versões extremamente fiéis de Aqua, de Kingdom Hearts, e Thanos, do Universo Marvel, foram recriadas em Soulcalibur VI. Para os mais maliciosos, até uma versão “imprópria” de Lizardman foi feita.

Depois de personalizar seu lutador, você entra de vez no modo história, onde o principal problema do game começa a surgir. A lore da franquia é conhecida por ter suas complexidades e, acima de tudo, ser muito bonita e curiosa. Isso se mantém no novo título, mas a maneira que o enredo é apresentado cansa.

Com praticamente nenhuma cutscene, o jogador é obrigado a ler as falas de todos os personagens. No começo, com a empolgação causada por um jogo novo, é até plausível ler com afinco cada diálogo. Entretanto, depois de algumas horas, o processo se torna extremamente exaustivo, e a história de Libra of Soul acaba perdendo um pouco de seu charme.

Ainda assim, esse modo possui os seus méritos. Com um gameplay baseado em níveis, o jogador vê seu personagem evoluindo aos poucos, permitindo o uso de novas armas, cada vez mais fortes.

Além disso, Libra of Soul apresenta um mapa extenso, repleto de side quests e locais para explorar. O game deixa bem claro qual é o caminho a ser seguido para completar a main quest, mas descobrir outras localizações para fortalecer seu personagem e conseguir comprar novos itens é um recurso no mínimo tentador.

Por fim, como todo bom RPG, Libra of Soul possui um sistema de escolhas. Por vezes, uma resposta ou outra só irão mudar as falas de um diálogo, sem alterar em nada o rumo de seu personagem; mas em outras situações, sua escolha pode afetar uma espécie de “balança moral”, mudando os trilhos do enredo e desbloqueando (ou não) novas missões paralelas.

Curiosamente, Libra of Soul não é a única campanha que pode ser seguida em Soulcalibur VI. O tradicional Story Mode, onde você pode se aprofundar na história de cada um dos personagens da franquia, como Siegfried e Cervantes, também está presente.

Infelizmente, os mesmos erros de Libra of Soul se repetem, trazendo poucas cutscenes e diálogos exaustivos - dessa vez, com a vantagem de ter dublagens, além de artes um pouco mais interessantes.

É no gameplay, como não poderia deixar de ser, que todo o potencial do jogo é liberado. Mesmo sem jogar Soul Calibur há muito tempo, senti nas primeiras horas de jogo que já tinha algum domínio dos comandos. Subindo a dificuldade, as batalhas se tornaram desafiadoras, e ganhar um duelo qualquer no modo Versus se tornou “questão de honra” várias vezes.

Apesar dos controles relativamente simples, SCVI está longe de ser um game com poucas possibilidades na luta. A lista de comandos é muito extensa, e permite uma variedade enorme de combos e golpes, que certamente serão descobertos aos poucos pelos jogadores mais aficionados.

Um dos maiores destaques do novo título está nos novos modos de defender ataques. O mais simples deles é o Reversal Edge: seu lutador irá absorver os golpes do adversário, e responder com um contra-ataque que acontece em câmera lenta. Muito poderosa, essa técnica é de grande ajuda em combates equilibrados.

O Guard Impact, por outro lado, já é velho conhecido dos fãs de Soulcalibur. Funcionando como uma espécie de parry, a maior novidade é que ele não gasta mais sua barra de Critical Edge, o golpe especial - o que pode ser interpretado negativamente, já que permite longas trocas de Guard Impacts sem que a luta avance de fato.

Apesar do modo história flagelado, Soulcalibur VI é extremamente divertido. Para quem precisa de um jogo para brincar com os amigos, seus comandos simples certamente irão deixar as partidas competitivas, mesmo para quem não tem intimidade com a franquia. Aos que preferem um gameplay mais burocrático, o Libra of Souls será um prato cheio.

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Soulcalibur VI
  • Lançamento

    19.10.2018

  • Publicadora

    Bandai Namco

  • Desenvolvedora

    Bandai Namco

  • Gênero

    Luta

  • Testado em

    PlayStation 4

  • Plataformas

    PC Xbox One PlayStation 4

Nota do crítico