Todos os jogos do Yoko Taro são experiências valiosas e inconfundíveis, mas NieR Automata é o único que é recomendado para todos os públicos.

Vitimados por limitações técnicas e baixos orçamentos, jogos como Drakengard 3 e o NieR original vivem nas sombras, apreciados apenas pelos fãs mais assíduos da franquia, que aprenderam a relevar inúmeros problemas de execução na base da perseverança.

Para melhor atender a uma nova geração de fãs que foi apresentada ao mundo de Yoko Taro por meio de 2B e companhia, a Square Enix agora lança NieR Replicant ver.1.22474487139..., que combina a genialidade das ideias do NieR original de 2010 a um nível de polimento digno de 2021, além de um bloco surpreendente de conteúdo inédito que torna o game obrigatório para veteranos da série.

Divulgação/Square Enix

Com seu humor autodepreciativo característico, Yoko Taro se diz assustado pela escala de Final Fantasy VII Remake, e por isso hesita em decidir se o novo NieR pode ser chamado de remake, ou se é uma mera remasterização.

Na prática, o jogo é um ‘resgate’ do original, cuja essência permanece intacta, mas apresentada de uma maneira muito mais palatável.

Enquanto o NieR original sofria com lentidão em praticamente todas as cenas de batalha, NieR Replicant tem 60 quadros por segundo. Em vez de 720p, a nova versão do jogo é compatível com 4K. Os cenários ganharam muito mais detalhes, assim como os modelos de personagens e inimigos, e agora até mesmo conversas com NPCs aleatórios são totalmente dubladas, com opções em inglês ou japonês.

Até mesmo a celebrada trilha sonora do original – talvez o único aspecto do game que era perfeito do jeito que estava – foi regravada, com novos arranjos que mais parecem releituras das canções originais, e até mesmo algumas faixas inéditas. Como um bônus, também é possível aproveitar a aventura ao som das lindas músicas de NieR Automata.

Mas nem todas as ‘pontas soltas’ do original foram aparadas: o protagonista ainda tem uma enorme dificuldade em subir e descer escadas, por exemplo, e o punitivo sistema de pescaria segue inalterado.

Divulgação/Square Enix

De maior importância até mesmo do que os visuais renovados, porém, é o novo sistema de combate.

Novas animações e um sistema dinâmico de câmera transformaram as simplórias batalhas do primeiro NieR em uma experiência mais próxima dos combates épicos de Automata. Pequenos ajustes ao timing de certos comandos fazem toda a diferença, permitindo que o jogador enfrente hordas de inimigos e projéteis com fluidez, sem nunca perder a sensação de que está no controle – algo que o original não conseguia fazer.

As melhorias ao combate foram tamanhas que me vi procurando por mais razões para explorar o mundo ao longo da aventura, optando até mesmo por cumprir side-quests banais apenas para ter a chance de enfrentar mais Shades.

Por mais que Yoko Taro prestigie muito mais a narrativa do que a ação de seus jogos, ter um sistema de combate mais fluido é um grande trunfo que possibilita a ainda mais pessoas interagirem com a história – que, convenhamos, é o real motivo para se envolver com NieR.

Divulgação/Square Enix

Mais de 1300 anos após o apocalipse, remanescentes da humanidade vivem em um mundo desolado, sofrendo com o medo constante de misteriosas criaturas chamadas Shades e da Black Scrawl, uma doença sem cura.

Diferente do lançamento ocidental de NieR, que colocava os jogadores no controle de um pai que deseja salvar sua filha, NieR Replicant é baseado no original japonês, que tem como protagonista o irmão da garota Yonah. Assim que ela passa a sentir os sintomas da terrível doença, o jovem parte em uma jornada para descobrir uma maneira de salvá-la da morte certa.

Como toda boa história de Yoko Taro, a narrativa de NieR Replicant insiste em apresentar ao jogador situações devastadoras, que marcam de uma maneira que poucas tramas de videogame conseguem. Entrar em mais detalhes seria um desserviço à obra, mas é importante pontuar essa crítica com elogios não apenas à narrativa em si, mas também aos diferentes artifícios que o jogo utiliza para conta-la.

Mesmo dez anos após meu primeiro contato com a trajetória desses personagens, ainda consigo me emocionar revendo os trechos mais importantes do jogo.

Divulgação/Square Enix

Apesar de sua execução falha, o NieR original é até hoje uma das experiências mais inventivas do gênero RPG. Reimaginado para plataformas modernas, o game agora tem muito mais alcance, e pode ser aproveitado até mesmo por aqueles que, em outro momento, talvez ficassem intimidados pelo rótulo de ‘sucesso cult.’

Quanto aos veteranos de NieR que ainda não sabem se a nova versão do jogo merece seu tempo e dinheiro, atentem-se ao seguinte: NieR Replicant tem horas de conteúdo jogável inédito, que culminam em um novo final secreto de grande relevância para todo o universo da série.

Livre de suas amarras de um mundo pré-NieR Automata, o jogo original agora pode sair das sombras e ficar lado a lado com seu irmão mais novo na luz de um mundo que só quer mais e mais de Yoko Taro.

  • Lançamento

    23.04.2021

  • Publicadora

    Square Enix

  • Desenvolvedora

    Toylogic

  • Censura

    16 anos

  • Gênero

    RPG de ação

  • Testado em

    PlayStation 5

  • Plataformas

    Xbox One PlayStation 4 PC

Nota do crítico