De todas as produções de ponta no mercado de games, aquelas com orçamentos milionários e equipes gigantescas de desenvolvimento e marketing, poucas sabem adaptar tendências ao seu próprio estilo como Call of Duty. Há anos, os jogos da série da Activision trazem uma mecânica, uma estrutura ou um tipo de partida “da moda”, parecido o suficiente com o material que o inspira para entrar como ponto de marketing, mas diferente o suficiente para parecer algo com a essência da franquia.

Call of Duty: Black Ops 4 apresenta essa essência camaleônica em sua forma mais honesta, e o resultado são três jogos unidos em um só pacote - e com uma costura pra lá de visível. Há tempos Call of Duty se divide na tríade campanha-multiplayer-modo zumbi. Mas, este ano, o modo história foi deixado de lado e, em seu lugar, entra o Blackout, trazendo o tão famigerado battle royale para o universo de CoD.

Com a ausência da campanha, que antes servia como uma espécie de cobertor temático que dava unidade aos outros lados de Call of Duty, Black Ops 4 direciona os holofotes para seu modo battle royale, para se firmar no filão mais lucrativo dos games na atualidade. Se depender exclusivamente da qualidade, a aposta será certeira: Blackout é uma versão mais refinada e bem polida do que já estamos acostumados a jogar, por exemplo, em PUBG.

O básico não muda muito: aqui, grupos de até 88 jogadores (100 ao jogar em duplas) se enfrentam até a morte em um mapa enorme, que vai “fechando” em uma redoma de energia. O mapa, por sua vez, é um compilado de vários cenários icônicos da história de Call of Duty, como Nuketown, Estates e Turbine.

Mas é exatamente ao incorporar as características de CoD que Blackout se torna uma adição bem-vinda ao mundo de battle royale. O combate, mais ágil e frenético, muda bastante a dinâmica das partidas. Como resultado, os embates ficam mais intensos à curta distância e, quando se troca tiros de longe, quem está sendo atacado tem mais oportunidades de se esconder ou até mesmo fugir.

Crédito: Activision/Divulgação

Isso equilibra um pouco o lado de quem é atacado e não consegue ver logo de cara de onde vem os tiros, uma situação bem comum nos battle royale de pegada mais tática, como PUBG.

Na interface, algumas melhorias simples também facilitam a vida dos jogadores, como incluir um marcador que mostra o quão próxima a redoma está de você, ajudando o jogador a se direcionar para o local correto sem precisar abrir o mapa o tempo todo. Há alguns problemas, como atrelar a aceleração dos veículos ao direcional em vez de um dos gatilhos (R2/RB), mas o saldo é muito positivo.

Para completar, as famigeradas perks também são incorporadas a Blackout, conferindo pequenas e úteis vantagens temporárias durante a partida. Elas podem ser encontradas ao longo do mapa e melhoram um pouco a sua capacidade de ouvir passos, sua velocidade ou força.

Mas, talvez, o maior mérito de Blackout seja trazer um modo battle royale, que já é tão associado a títulos concorrentes, e fazê-lo com uma cara própria, que faz Black Ops 4 ganhar seu espaço em um terreno tão concorrido. Se esse foi o preço de deixar de lado as tradicionais campanhas (que, apesar de boas tentativas recentes, não tinham o mesmo brilho de um Modern Warfare 2 ou um Black Ops 1), valeu a pena.

Multiplayer

Crédito: Activision/Divulgação

O modo Blackout é tão completamente destacado do resto de Black Ops 4, de modo a ser a primeira coisa jogável enquanto o console ainda baixa o arquivo do game e de ter seus ícones separados dos outros modos de jogo, que o multiplayer tradicional acaba perdendo um pouco de brilho. Mas, seguindo a tradição da franquia, essa ainda é uma parte executada de forma competente.

Continuando uma tendência iniciada há dois anos por Battlefield 1, Black Ops 4 deixa de lado aquelas movimentações malucas que Titanfall popularizou no início da geração (e CoD abraçou com games mais voltados à ficção científica), como saltos duplos e corridas na parede, enquanto tenta manter o mesmo andamento acelerado de suas contrapartes futuristas.

O resultado é um jogo em que ainda é possível levar vantagem contra seus oponentes com esperteza nas movimentações, com deslizadas e pulos, mas a retirada dos pulos duplos e wall runs cria cenários em que a movimentação é mais previsível - antes, você poderia entrar numa sala pequena de praticamente qualquer espaço.

Em meio à ação desenfreada, retornam novamente as customizações de classe e os Especialistas, tipos de personagens egressos de Black Ops 3 com habilidades especiais. Cada personagem tem uma habilidade única (como dispersar arame farpado no cenário ou soltar granadas que se fragmentam em outras granadas), e “ultimates”.

Assim como em Black Ops 3, mais uma vez os especialistas garantem um mínimo de diferenciação para cada personagem, mas suas habilidades não são um diferencial forte o suficiente para fazerem a diferença, sozinhas, em uma partida, ou para impactar a composição de uma equipe, como acontece em Overwatch ou Rainbow Six: Siege. Mais uma vez, a Activision toma emprestado ideias de outros jogos, mas as adapta para deixar com a cara da franquia.

Crédito: Activision/Divulgação

Ainda do game da Blizzard, vêm a inspiração para os tutoriais de cada personagem, permeados por cutscenes que tentam dar personalidade aos especialistas (e falham miseravelmente).

Para os órfãos da campanha, o que mais se aproxima é o modo zumbi, cada vez mais aberto a bizarrice e ao inesperado. Cada um dos três mapas apresenta temáticas diferentes, incluindo aí um passeio em um coliseu romano e outro dentro do Titanic.

Por trás dessas temáticas, o modo zumbi continua a estrutura básica que permeia esse lado de Call of Duty desde que surgiu em World at War: defender-se de hordas de mortos-vivos, aprimorando suas habilidades e obtendo novas armas no meio do caminho.

Black Ops 4 é Call of Duty destilado a sua essência: um combinado de três modos de jogo competentes, que oferecem tipos de diversão diferentes a cada público. Principal estrela, o modo Blackout estreia com ótima qualidade, e deve dar dor de cabeça a seus concorrentes no modo battle royale.

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Call of Duty: Black Ops 4
Call of Duty: Black Ops 4
  • Lançamento

    12.10.2018

  • Publicadora

    Activision

  • Desenvolvedora

    Treyarch

  • Censura

    18 anos

  • Gênero

    Tiro

  • Testado em

    PlayStation 4

  • Plataformas

    PC Xbox One PlayStation 4

Nota do crítico