O governo dos Estados Unidos apresentou nesta terça-feira (20) acusações antitruste contra o Google, acusado de monopolizar o mercado de busca e publicidade baseada em buscas.

Segundo reportou o The New York Times, o Departamento de Justiça do país alega que o Google "mantém seu status de 'guardião' da Internet" através de uma "rede ilegal de acordos comerciais exclusivos e interligados que excluem os concorrentes”.

De acordo com a ação, esses contratos incluem acordos com a Apple para a manutenção do Google como motor de busca padrão do iPhone, por exemplo.

O caso é um dos maiores e mais ambiciosos tomados contra uma empresa de tecnologia dos Estados Unidos. Segundo a publicação, outos procuradores estaduais deverão entrar com ações judiciais paralelas.

Essa não é a primeira vez que o Google enfrenta uma ação antitruste no país –  uma investigação similar aconteceu em 2013, quando políticas de AdSense da empresa foram avaliadas pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos.

Investigações também ocorreram na Europa, onde a empresa foi multada múltiplas vezes por conta de suas políticas de AdSense, por combinar softwares no Android e por manipular resultados de busca.

Em julho, Sundar Pichai, CEO do Google, participou de uma audiência junto ao Congresso dos Estados Unidos, parte de uma investigação sobre o direito à concorrência no país.

A empresa argumenta que tem concorrentes fortes no mercado, incluindo a Amazon, e que seus serviços têm sido de utilidade para pequenos negócios. Procurada pelo jornal, a empresa não comentou a ação judicial.

[Atualização] Em um post em seu blog oficial, a empresa classificou a ação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos como "extremamente falha" e que afirmou que o processo "não ajudaria consumidores em nada".

"A ação judicial de hoje do Departamento de Justiça dos Estados Unidos é profundamente falha. As pessoas usam o Google porque escolhem fazê-lo, não porque são forçadas ou porque não conseguem encontrar alternativas", escreveu a empresa. "Esta ação não ajudaria os consumidores em nada. Ao contrário, promoveria artificialmente alternativas de pesquisa de qualidade inferior, aumentaria os preços dos smartphones e tornaria mais difícil o acesso das pessoas aos serviços de pesquisa que desejam usar", continuou.

Ainda na nota, a empresa comparou o fato de comprar espaço dentro de outras plataformas para destacar seu serviço de busca – como faz com o iPhone – com uma "marca de cereal" pagar um supermercado para estocr produtos ao nível dos olhos do consumidor.

"No celular, essa prateleira é controlada pela Apple, além de empresas como a AT&T, Verizon, Samsung e LG. Em computadores desktop, essa prateleira é esmagadoramente controlada pela Microsoft. Portanto, negociamos parcerias com muitas dessas empresas por espaço nas prateleiras ao nível dos olhos", apontou a empresa. Veja o posicionamento completo aqui.

Por fim, a companhia afirma "entender" que com o sucesso vem o escrutínio", mas que manterá sua posição e que espera que o tribunal conclua que o processo não se enquadra "nem nos fatos, nem na lei".

"A lei antitruste dos Estados Unidos foi projetada para promover a inovação e ajudar os consumidores, e não favorecer concorrentes específicos ou dificultar a obtenção dos serviços que esses consumidores desejam", escreveu o Google. "Estamos confiantes de que um tribunal concluirá que este processo não se enquadra nem nos fatos, nem na lei. Nesse ínterim, continuamos absolutamente focados em oferecer serviços gratuitos que ajudam os usuários todos os dias. Porque isso é o que mais importa."