Cofundador do Facebook nos tempos de Harvard ao lado de Mark Zuckerberg, Chris Hughes sugeriu nesta quinta-feira (09) que chegou a hora de subdividir a empresa.

Em um artigo publicado no jornal The New York Times, Hughes argumenta que seria hora da Comissão Federal de Comércio (FTC) dos Estados Unidos reverter a aquisição do WhatsApp e do Instagram pelo Facebook para criar mais competição nos mercados de redes sociais e de mensageria.

Segundo o executivo, o Facebook se tornou um monopólio e limita a competição e inovação desse mercado – usuários não têm alternativas ao Facebook, já que não há competidores sérios para a plataforma. Ainda de acordo com ele, novas redes sociais não são lançadas desde 2011 e 84% de todo o gasto com publicidade em redes sociais vai para o Facebook.

"A influência de Mark é impressionante, muito além de qualquer outra pessoa no setor privado ou no governo. Ele controla três principais plataformas de comunicação – Facebook, Instagram e WhatsApp – que bilhões de pessoas usam todos os dias", escreveu. "Mark sozinho pode decidir como configurar os algoritmos do Facebook para determinar o que as pessoas veem em seus feeds de notícias, quais configurações de privacidade podem usar e até quais mensagens são exibidas. Ele estabelece as regras de como distinguir discurso violento e incendiário do meramente ofensivo, e ele pode optar por encerrar um concorrente adquirindo, bloqueando ou copiando-o".

Hughes indica ainda Mark é uma "pessoa boa e gentil", mas se diz "irritado" com o foco do CEO do Facebook no crescimento, que o deixou sacrificar "segurança e civilidade" em troca de cliques.

"O governo deve responsabilizar Mark. Por muito tempo, os legisladores ficaram maravilhados com o crescimento explosivo do Facebook e negligenciaram sua responsabilidade de garantir que os americanos sejam protegidos e que os mercados competitivos", afirmou.

Além da divisão do Facebook, o cofundador da empresa sugere ainda que o governo dos Estados Unidos tenha uma agência dedicada à regulamentação de empresas de tecnologia como o Facebook – responsável pela proteção de dados de usuários e pelo estabelecimento de regras através das quais companhias podem operar. De certa forma, a sugestão é similar à legislação criada no ano passado pelo União Europeia.

[Atualização - 10/05 - 18h35]

Em nota, o Nick Clegg, vice-presidente de Global Affairs e Comunicações do Facebook, defendeu que o Facebook entende que "com o sucesso vem responsabilidade", mas que não se "impõe essa responsabilidade exigindo a cisão de uma empresa americana bem-sucedida".

"A responsabilidade das empresas de tecnologia só pode ser alcançada por meio da introdução diligente de novas regulações para a internet. Isso é exatamente o que Mark Zuckerberg tem pedido. Aliás, ele está se reunindo com líderes do governo nesta semana para dar continuidade a esse trabalho", escreveu.

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