Após meses de procura e negociações, a Amazon que sua nova sede nos EUA, conhecida como HQ2, será dividida entre duas localizações: Long Island City, em Nova York; e Crystal City, na cidade de Arlington, Virgínia.

Em janeiro, a empresa havia divulgado uma lista com 20 “finalistas”, que além destas duas cidades trazia exemplos como Denver, Miami, Filadélfia e Nashville.

A empresa agora planeja construir duas novas superestruturas nestas cidades, com investimento de US$ 2,5 bilhões e 25 mil funcionários para cada local.

A Amazon também quer transformar a região de cada sede em pólos de tecnologia e comércio, e até tem planos de alterar o nome de Crystal City para National Landing.

“Estas duas locações nos permitirão atrair talento de nível mundial, que nos ajudarão a continuar inventando para consumidores pelos próximos anos”, declarou o CEO e fundador Jeff Bezos. “A equipe fez um grande trabalho selecionando estes locais, e estamos ansiosos em nos tornarmos uma parte ainda maior destas comunidades.”

Cartas marcadas?

Durante o ano, diversas figuras criticaram a estratégia de escolha do HQ2 da Amazon, indicando que a empresa já havia decidido quais seriam as locações desde o início, utilizando a campanha apenas como forma de saber que tipos de incentivos e subsídios seriam oferecidos por seus governos.

“A Amazon gamificou o processo do HQ2 e basicamente criou um jogo que resultará em uma transferência de riqueza de municipalidades - corpo de bombeiros, distritos escolares e forças policiais - para investidores da Amazon”, disse em setembro Scott Galloway, professor da NYU e autor do livro Os Quatro. “Eu acredito ser [um embuste]. Eu acredito que eles não tenham intenção de estar em nenhuma destas [outras] 18 cidades. Eu acredito que o jogo acabou antes de começar.”

“Como todas as seleções de local corporativas, o processo do HQ2 é um jogo trapaceiro, em que a companhia sabe a resposta previamente e cria uma competição fictícia para conseguir o máximo de incentivos”, declarou Richard Florida, cofundador do CityLab.

Antes das eleições de 2018 nos EUA, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, chegou a dizer o quanto estava querendo que a Amazon fosse para uma cidade em seu Estado.

“Eu mudo meu nome para Amazon Cuomo se for preciso”, disse o político a um grupo de repórteres.

Dois membros do corpo legislativo de Nova York, Michael Gianaris e Jimmy Van Bramer, enviaram um comunicado indicando que pretendem barrar a construção da sede da Amazon usando subsídios públicos.

“Oferecer uma enorme assistência social corporativa de recursos públicos escassos para uma das corporações mais ricas do mundo em uma época de grande necessidade é simplesmente errado.”

“O fardo não deveria estar com os 99% [mais pobres] para provar que somos dignos da presença do 1% em nossas comunidades, e sim na Amazon provar que será um vizinho corporativo responsável.”

Ainda não há previsão de quanto tempo levará para a criação destas duas sedes.