Seria ingênuo pensar que a Nintendo não relançaria seus títulos do Wii U no Switch. A prática, já comum no mercado de games, é um jeito rápido e fácil de bombar catálogo no início da vida útil de um console e é grande a chance de que muitos dos jogadores não conheçam o jogo, simplesmente pelo fato de não terem tido a oportunidade de conferí-lo no Wii U, um dos aparelhos mais mal-sucedidos da história da empresa.

Por isso, não é surpresa a chegada de Mario Kart 8 no Switch, com pouco menos de dois meses do console no mercado. O relançamento até dá munição aos críticos do aparelho e da Nintendo, por ser um jogo “requentado”, mas não é preciso pouco mais de algumas horas com o jogo nas mãos para entender por quê a fabricante fez essa escolha, e por quê ela faz todo sentido.

Esse texto começou como uma crítica da nova versão, intitulada Mario Kart 8 Deluxe, que nada mais é do que o game do Wii U com o conteúdo extra incluso, mais algumas melhorias e modificações. Entre as principais, estão as adições dos Inklings de Splatoon ao elenco, a reformulação do Battle Mode, e novos veículos.

Mas, em termos de jogabilidade, não há muito o que acrescentar além do que já foi dito em nossa crítica. O cuidado na construção do traçado e no modo como a câmera guia o jogador dá a impressão de que a pista ocupa todos os ângulos da tela. Tudo é pista em Mario Kart 8, e tudo é palco para que desfilem os carismáticos personagens da Nintendo, com trejeitos ainda mais divertidos - que o diga o “Luigi Death Stare” e outras reações hilárias.

O que faz esta versão ser ainda melhor do que a lançada em 2014 é inerente às características do novo console em que ela se encontra. Com sua praticidade e seu conceito elegante de transição entre console de mesa e portátil, o Switch faz de Mario Kart 8 um jogo melhor - e, em contrapartida, Mario Kart 8 também traz à tona algumas das melhores qualidades do novo aparelho da Big N.

Mario Kart 8 remete a um dos jogos que, para mim, é dos melhores e mais importantes da franquia: Mario Kart DS.

Lançado um ano depois da chegada do Nintendo DS às lojas, Mario Kart DS impressionou logo de cara pela qualidade geral de pistas e cenários, que pouco deviam às versões de console. Mas seu grande trunfo estava mesmo no multiplayer: por meio do Wireless Play, era possível jogar contra outra pessoa mesmo sem estar conectado à internet.

A facilidade do multiplayer de Mario Kart DS, somada à boa qualidade gráfica do próprio DS, significou que, pela primeira vez na franquia, a experiência de jogar no portátil era igual a do console, tanto sozinho quanto com amigos. Foi-se o tempo de cabos link e outras complicações. Bastava apenas de ter dois DS próximos um ao outro para jogar.

Corta para 2017 e temos a mesma experiência em Mario Kart 8, no qual é possível jogar contra seus amigos que também tem um Switch, de forma prática, e mesmo sem estar conectado a um wi-fi - e com o benefício de ter, nas mãos, possivelmente um dos melhores Mario Kart já feitos.

Por outro lado, Mario Kart 8 também demonstra todo o lado multiplayer do Switch, de uma forma que nenhum dos outros jogos já tinham feito até agora. The Legend of Zelda: Breath of the Wild foi ideal para mostrar o conceito principal do console, de jogar em casa ou em qualquer lugar, sem nenhuma perda de qualidade na experiência - e o fez tão bem que, praticamente sozinho, já tornou o Switch em um dos mais bem-sucedidos lançamentos da história da Big N.

Com seu multiplayer descomplicado e um esmero técnico invejável, Mario Kart 8 apresenta aos donos do console um outro lado do Switch que é tão legal quanto: a possibilidade de jogar com outras pessoas sem empecilhos, seja usando os pequenos Joy-Con, seja utilizando vários consoles ao mesmo tempo.

Mario Kart 8 Deluxe pode até ser taxado de um título reciclado, mas o conceito do Switch faz dele um jogo muito melhor. E seu ótimo multiplayer, agora em versão portátil, explica por quê portar o game do Wii U foi uma excelente escolha.