O PlayStation 5 comemorou seu primeiro aniversário nesta sexta-feira, 12 de novembro — embora tecnicamente o lançamento mundial em países como o Brasil tenha sido no dia 19 —, e o saldo desse último ano é… curioso, para se dizer o mínimo.

O console de nova geração da Sony é, inegavelmente, um sucesso de vendas, e um dos itens de consumo mais desejados pelo público ao redor do mundo. Ele alcançou 10 milhões de vendas em tempo recorde, superando a marca do PS4 em tempo equivalente de lançamento.

Ao mesmo tempo, porém, é difícil não notar um nível de insatisfação tanto por parte da Sony quanto por parte de seu público, justamente por fatores fora de seu controle: a famigerada crise de semicondutores afetou significativamente a fabricação dos consoles, e é muito provável que seus números fossem ainda maiores com uma linha de produção normal.

Por isso mesmo, a busca do consumidor pelo PS5 tem sido um exercício em frustração, e as coisas não vão melhorar tão cedo — possivelmente afetando tanto as próprias vendas quanto a percepção do público quanto à marca.

Talvez nada demonstre isso melhor do que o post no blog de PlayStation sobre o aniversário do console, em que o presidente e CEO da Sony Interactive Entertainment, Jim Ryan, celebra o sucesso e tenta acalmar os ânimos do público.

“Vocês fizeram do PS5 o maior lançamento de consoles da história, e não posso agradecer o suficiente por seu apoio e dedicação no último ano”, escreveu.

“Também quero agradecer a todos na comunidade por sua paciência”, seguiu. “Continuamos a ver uma demanda histórica pelo PS5, e entendemos que limites de inventário continuam sendo fonte de frustração para muitos de nossos consumidores. Tenham certeza que estamos extremamente focados em fazer tudo em nosso poder para enviar o máximo de unidades possível, é algo em que trabalhamos todos os dias dentro da companhia e continua sendo nossa maior prioridade. Novamente, apreciamos sua paciência enquanto navegamos por meio desses desafios globais sem precedentes.”

Ter um produto muito procurado e que desaparece do estoque em minutos geralmente é um bom problema para se ter, mas a produção idealmente estaria em um nível ao ponto de suprir essa necessidade, algo que a Sony não pode fazer nem que quisesse no momento — e a julgar por reportagens, a empresa vai ter que fazer o contrário, fabricado menos unidades do que estimava mesmo poucos meses atrás, 

Por tabela, os números de venda já estão desacelerando, mesmo com a alta procura.

Na frente dos jogos, o primeiro ano do PS5 também foi curioso por ser positivo, mas ainda ter o fator negativo considerável pelo atraso de jogos muito aguardados pelo público.

O ano em geral acabou sofrendo com um número um tanto baixo de jogos, especialmente devido à pandemia de COVID-19, que mudou fundamentalmente a forma como os grandes estúdios trabalham e desenvolvem seus projetos.

Em termos de exclusivos, o console da Sony teve jogos de destaque considerável desde o lançamento, começando com o remake de Demon’s Souls e o surpreendente Astro’s Playroom, passando por Returnal e Ratchet & Clank: Em Uma Outra Dimensão, e culminando com Deathloop — que, para ser justo, é um exclusivo temporário para consoles, de um estúdio que agora pertence à Microsoft.

Isso, é claro, ao lado de jogos que também saíram para o PS4, como Marvel’s Spider-Man: Miles Morales e Sackboy: Uma Grande Aventura, que independente da sua qualidade, estão disponíveis em um console que dezenas de milhões de pessoas já tem em suas casas.

Mas, especialmente após o lançamento de Deathloop em setembro, a seca de grandes lançamentos do PS5 tornou-se extremamente notável, com alguns de seus títulos mais esperados ficando só para o início de 2022 e além.

A ausência mais notável, claro, é Horizon Forbidden West, que até o meio deste ano parecia que estava quase confirmado para chegar no último trimestre de 2021, apenas para ser adiado para fevereiro.

É claro, o ideal é que um jogo de fato adiado para ter seus elementos refinados — e, espera-se, não fazer a equipe de desenvolvimento se matar de trabalhar, embora infelizmente isso nem sempre seja o caso —, mas isso não deixa a lacuna do fim de ano menos vazia para o PS5.

O outro grande título adiado foi God of War: Ragnarok, cuja data de lançamento de 2021 sempre pareceu otimista demais, e por isso o atraso não vem como surpresa para (quase?) ninguém.

Não só isso, vale lembrar que esses jogos também foram prometidos para chegar ao PS4, o que em circunstâncias normais poderia servir como desincentivo para migrar para um console novo. Mas, como a falta de PS5 no mercado deve continuar (se não piorar) em 2022, acho que esse acaba sendo um ponto secundário.

E isso ajuda definir bem esse primeiro ano tão estranho do PlayStation 5: ele é um sucesso, e teve um saldo bom de jogos de novembro de 2020 para novembro de 2021, mas as circunstâncias no qual ele foi lançado deixam uma sessão estranha de vazio, como se algo estivesse incompleto.

O segundo ano, como já ficou aparente no texto, promete trazer desafios ainda maiores de produção e distribuição, não graças à crise de suprimentos global que tem se intensificado nos últimos meses, e não tem data para normalizar.

Ainda assim, vale esperar para ver o que jogos como Horizon e God of War farão neste console, sem falar nos anúncios que vem por aí.