Pokkén Tournament mais parecia uma piada de primeiro de abril em seu anúncio. E foi muito legal ver o hype aumentando quando os fãs tomavam consciência de que não aquilo não era uma piada e que realmente estavam produzindo um game cujo jogador disputaria verdadeiras batalhas Pokémon em tempo real, e com os próprios bichinhos.

Em uma parceria inusitada do estúdio responsável por Tekken e a Nintendo, Pokkén Tournament segue por um caminho completamente diferente dos demais jogos da série. Desta vez o jogador tem o controle absoluto da rinha de criaturas e luta como bem entender, do jeito que sua imaginação e habilidade possibilitarem.

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Apesar do título oportunista e muito bem sacado, não espere muito de Tekken no jogo. Referências aqui e ali na forma de golpes de alguns personagens - todo o elenco tem a sua homenagem especial, uns mais fáceis de sacar, outros nem tanto -, ou em juggles e wallbouncings (quando o advesário bate na parede e volta), mas só. E o game não fica ruim por isso.

Pokkén tem seu próprio estilo. Ele poderia ser facilmente comparado a um daqueles jogos de luta em arenas 3D (Naruto Shippuden UNS4), mas também vai além. Katsuhiro Harada, responsável pelo desenvolvimento do game, conseguiu imprimir anos de experiência dentro do cenário dos jogos de luta em conceitos simplificados e muito bem exemplificados.

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A começar pelo tal "Janken Po", a tríade de Pokkén. Ataques normais, contra-ataques e agarrões, cada um deles perde para o próximo na ordem descrita e ganha do seguinte. Isso é meio que uma constante desde os primórdios dos jogos de luta, e é apresentado de uma maneira simples e inovadora aos novos jogadores, que não puderam vivenciar mais de uma década de pancadarias virtuais.

Criar estratégias e acertar seus oponentes em counters perfeitos (tipo um pedra contra tesoura) geram bônus de dano e podem ser o diferencial entre alguém que só aperta botões e o outro que pensa como jogar.

O layout de controles é bastante simples, mas mudam de acordo com as "fases" de uma disputa. E aí tudo fica um pouquinho mais complicado na teoria, pois na prática tudo flui muito bem.

O game conta com um sistema único de combate dividido em duas fases. A primeira fase, "Field", deixa o jogador mover seu pokémon livremente pelo cenário 3D. O combate favorece um formato de 'zoning' (ataques à distância) e escolher a hora certa de investir é essencial. Sua missão aqui é iniciar a próxima "fase", acertando um golpe forte no adversário.

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Na fase "Duel" tudo é mais tradicional. Os botões que disparavam rajadas de energia agora são ataques fracos, seguidos de golpes fortes e magias. Os personagens são presos em um eixo horizontal '2D' e o combate segue. É preciso ter em mente dois estilos diferentes de combates para um mesmo personagem, dentro de uma mesma partida.

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O conceito dessa troca de "pontos de vista" é bem interessante. A sensação é de que entramos naquele momento clímax do combate, bem típico dos animes em geral, com a câmera fechada, violência e tudo que acerta, machuca. Tem mais drama, dá mais medo de perder e impulsiona a empolagação às estrelas.

Na minha cabeça maluca também não pude deixar de achar que isso tudo é uma grande experimentação para um futuro projeto do desenvolvedor. Como a maioria deve se lembrar, Katsuhiro Harada é o responsável pela versão da Bandai Namco de Tekken x Street Fighter, e essa troca de "fases" serviria bem aos propósitos de inserção de personagens que normalmente lutam num mundo 2D, dentro de um 3D. Claro que isso não passa de um pensamento aleatório meu e sem confirmações oficiais.

Os pokémon foram muito bem escolhidos. Faltam lutadores? Talvez. Mas os que estão disponíveis carregam suas próprias características e formas para serem utilizados. Lucario e Blaziken poderiam até mesmo serem considerados os personagens Ryu e Ken do jogo. Eles são fáceis de aprender e bons na hora do combate em ambas as fases, funcionam bem para a transição do cérebro dos jogos de luta tradicionais e Pokkén.

O elenco no geral requer um pouco da sua atenção. Experimentar cada um dos personagens em batalhas reais (não apenas contra a inteligência artificial pouco desafiadora) é essencial para que você consiga encontrar o seu personagem preferido. Eles são bem diferentes uns dos outros, principalmente os que se posicionam nas quatro patas. E até agora não me pareceram desbalanceados em nenhum momento.

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Além do pokémon que vai lutar, é preciso escolher outros dois que funcionam como suporte na hora do combate. As combinações são fechadas, mas aos poucos novas duplas são liberadas, à medida que você avança no modo história.

A sinergia entre o pokémon e seu treinador é a indicação de uma barra de poder para um golpe devastador. Quando ativada, o lutador ganha um aumento de força em todas as suas habilidades, seus golpes ficam mais eficientes e, acionando o mesmo comando mais uma vez é possível ativar um especial secreto que causa um dano considerável. A boa e velha mecânica de 'comebacks' (ou reviravoltas).

Apesar do jogo ser embalado em certos comandos similares a todos os personagens (ataques que buscam o adversário, combos de um botão e magias de longas distâncias), o jogo abraça a criatividade do jogador. Os juggles (quando o adversário fica quicando nos golpes) são bastante livres e alguns até podem ser aprendidos em uma área específica no modo treino.

Pokkén é dividido em cidades. Cidades do modo para um jogador, para o modo história, treinamento, online e versus local. O hub central dá a possibilidade de escolher novos pokémon para jogar, mudar o tipo de suporte que está usando e até silenciar a garota chata que fica dando dicas durante a partida - parecendo mais com aqueles guris de shopping center, que falavam que iam garantir a sua ficha no terceiro round.

Jogar online é a melhor forma de aprender realmente Pokkén. Isto porque o single player é uma sucessão de escalada de ranqueamento, torneio com os oito melhores e chefe de determinada Liga. Tudo com uma dificuldade que beira o ridículo. Dá vontade de guardar o jogo e nunca mais tirá-lo da caixa.

O jogo brilha muito mais quando o adversário é outra pessoa. Seja online ou offline, o aprendizado é mais natural, o combate é mais divertido e, bem, as pessoas costumam defender em alguns momentos. A campanha só serve mesmo para juntar dinheiro rápido, subir de nível e comprar itens para a personalização do seu avatar.

Pokkén Tournament se revelou uma boa surpresa. Com bom combate, coloca a criatividade e habilidade do jogador sempre em primeiro lugar, mas sem desmerecer os mais casuais. Tem capacidade para durar bons anos na disputa, já que personagens extras não faltam para serem vendidos como DLC, se for o caso.

Nota do crítico