Review: Crash Bandicoot 4: It's About Time

Level design impecável e novas habilidades fazem deste o melhor Crash de todos

Por Bruno Silva 07.10.2020 19H49

Eu não esperava me impressionar tanto com a qualidade de Crash Bandicoot 4: It’s About Time.

Não que eu não achasse que o jogo seria ruim. Pelo contrário. A série vive uma boa fase desde 2017, quando resgatou sua era de ouro dos anos 1990 no remake/remaster Crash Bandicoot: N. Sane Trilogy, readaptando com gráficos modernos a jogabilidade que encantou jogadores quando o marsupial ainda era o mascote informal do primeiro PlayStation.

Mas a qualidade de Crash 4 superou e muito qualquer expectativa, inclusive quando o comparamos com seus antecessores (e nem precisou da ajuda da Carreta Furacão). O novo jogo da série pega a base dos anos 1990 e aprimora, em todas as maneiras possíveis, para entregar o melhor jogo da série.

História e gameplay

Como o próprio nome diz, Crash 4 pega o tema de intervenções no tempo e espaço para reescrever a cronologia da série, mais como jogada de marketing, se livrando dos mal-sucedidos jogos que vieram após à trilogia original, do que qualquer pretensão de corrigir um cânon.

O título se situa imediatamente após os eventos do terceiro game, com os vilões N. Tropy e Neo Cortex descobrindo fendas quânticas que lhes dão a habilidade de viajar por diferentes períodos do multiverso. Essa ruptura leva Crash, Coco e a máscara Aku Aku a buscar a ajuda das quatro máscaras quânticas, guardiãs do tempo e do espaço.

Além de serem parte importante da história, contada ao longo de seus 43 níveis principais, as máscaras também são responsáveis pela principal mudança no gameplay de Crash 4 em relação a seus antecessores. Cada uma delas confere habilidades especiais aos irmãos Bandicoot: Lani-Loli faz plataformas e itens aparecerem e desaparecerem; Akano confere um “super-giro”, aumentando a distância e altura dos saltos; Kupuna-Wa retarda a passagem do tempo, permitindo a passagem por locais perigosos; e Ika-Ika altera a gravidade, criando desafios de plataforma únicos.

As quatro máscaras são introduzidas gradualmente à aventura, e possuem momentos bem definidos nos níveis para serem utilizadas - elas aparecem, você as utiliza naquele segmento, e elas vão embora. Embora o jogo gire em torno da novidade, ela não monopoliza todos os momentos de gameplay, enquanto é responsável por alguns de seus segmentos mais interessantes, como transformar caixas de nitro e TNT como plataformas ou fazer o teto das fases virar caminho viável.

A inclusão das máscaras dá a Crash 4 uma camada extra de complexidade que aumenta os desafios do jogo de maneiras engenhosas (isso se comprova nas últimas fases, onde o uso delas se traduz em desafios particularmente complicados), mas talvez seu maior mérito seja se integrar perfeitamente ao já consagrado estilo de jogo da série.

Mas, acima de todas as novidades de gameplay, o que realmente se destaca em Crash 4 é a construção dos níveis, seja no visual, com paisagens muito detalhadas e cheias de coisas acontecendo ao redor do percurso que você corre, seja no gameplay, repleto de ideias novas que vão além do uso das máscaras, como segmentos em trilho, segmentos de plataformas móveis que se repetem em padrões, ou até mesmo um nível musical a la Mario Odyssey como “Off Beat/Fora de Ritmo”.

Para finalizar, a nova aventura também dá a oportunidade de jogar com cinco personagens diferentes. Além de Crash e Coco, que podem ser escolhidos para as fases “padrão”, há níveis especiais protagonizados por Tawna, namorada de Crash no primeiro game, e pelos vilões Dingodile e Cortex, cada um com comandos e comportamentos específicos, que também ajudam a variar os desafios propostos pelo jogo.

Duração

Como manda a série, há vários desafios extras que vão além de terminar as fases, o que ajuda a esticar a vida útil jogo. Crash 4 pega esse elemento tradicional da franquia e também expande, garantindo uma boa longevidade para quem quiser completar 100%.

Todas as 43 fases possuem um modo extra chamado N. Verted, que, como diz o nome, inverte a direção da fase e lhe dá uma direção artística diferente. Fora isso, as gemas, que são conquistadas ao completar objetivos opcionais, também foram ampliadas. Você agora ganha gemas coletando um nível específico de frutas, ao passar da fase sem morrer um número determinado de vezes, além, claro, de coletar todas as caixas e encontrar uma gema escondida.

Estas gemas se transformaram em desafios para coletar novos visuais para Crash e Coco, o que deve oferecer um incentivo extra até para quem não é muito complecionista. Para completar, também há uma série de fases opcionais que contam a história de Crash antes do primeiro game, ainda como cobaia dos experimentos de Neo Cortex. Na contagem total, são cerca de 100 níveis. Quem ainda quiser se desafiar ao máximo pode conquistar as relíquias obtidas ao terminar a fase em um tempo estabelecido.

Multiplayer

Por fim, Crash 4 também resgata um elemento cooperativo e competitivo que relembra jogos do passado com o modo Pass n’ Play, que emula a ideia de “passar o controle”, permitindo que várias pessoas joguem juntas a aventura single-player.

Há, também, um modo de disputa chamado Bandicoot Battle, em que você pode colocar até quatro jogadores para disputar pontos dentro de uma fase. Todos terão a chance de chegar até um checkpoint e vence quem o fizer mais vezes sem morrer e mais rápido.

Com tudo junto e misturado, Crash 4 eleva o patamar da série traz uma qualidade que coloca a franquia num patamar dentro dos jogos de plataforma de alto orçamento comparável apenas ao dos títulos da Nintendo nesta geração de consoles.

Para um jogo que é sobre viajar no tempo, Crash Bandicoot 4 se sai melhor quando aponta para o futuro. Os novos elementos agregam sem sobrepor, e o nível de qualidade é o melhor da série com folgas. O novo game mostra que o herói voltou pra ficar, e não vai viver apenas do passado.

Nota do crítico